quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Pretensão



"O que você quer ser da vida, moça?" - Ele sentou ao meu lado, e perguntou isso como se fosse fácil responder. Como se eu realmente soubesse o que eu queria ser. E como saberia? E como poderia ter uma vaga ideia que fosse do que ser? Se nem ao menos sei o que sou. Ah, moço, larga a mão de pergunta difícil.
Olho para ele. Bem no fundo daqueles olhos cor-de-vida. Minha vida. Vi-me naqueles olhos tão cheios de um sei-lá-o-quê que me preenche e me responde tudo. Tem uma verdade implícita naquele olhar que resume todas as outras verdades grandiosas do universo. Meu universo. É lá mesmo, no olhar dele, que eu encontro a tal resposta para pergunta feita há pouco.
Ele continua a me fitar. Quero desviar o olhar para não admitir o que ele já sabe tão naturalmente, mas pergunta só pelo prazer de ver o rubor das minhas feições. Abaixo a cabeça para não mais encará-lo, na tentativa de achar uma resposta racional para aquela pergunta tão cheia de tanto. Em vão. No fundo sei que só há uma coisa inteiramente sincera a se responder àquela questão. Sorrio. E, enfim, confesso o que o mundo inteiro já sabia: "Sua, moço. Sua."
Foi a vez de ele sorrir. E dizer, com aquela petulância charmosa de sempre: "Você já é, menina." E fomos um do outro. E somos. E seremos, ainda.

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