quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Pretensão



"O que você quer ser da vida, moça?" - Ele sentou ao meu lado, e perguntou isso como se fosse fácil responder. Como se eu realmente soubesse o que eu queria ser. E como saberia? E como poderia ter uma vaga ideia que fosse do que ser? Se nem ao menos sei o que sou. Ah, moço, larga a mão de pergunta difícil.
Olho para ele. Bem no fundo daqueles olhos cor-de-vida. Minha vida. Vi-me naqueles olhos tão cheios de um sei-lá-o-quê que me preenche e me responde tudo. Tem uma verdade implícita naquele olhar que resume todas as outras verdades grandiosas do universo. Meu universo. É lá mesmo, no olhar dele, que eu encontro a tal resposta para pergunta feita há pouco.
Ele continua a me fitar. Quero desviar o olhar para não admitir o que ele já sabe tão naturalmente, mas pergunta só pelo prazer de ver o rubor das minhas feições. Abaixo a cabeça para não mais encará-lo, na tentativa de achar uma resposta racional para aquela pergunta tão cheia de tanto. Em vão. No fundo sei que só há uma coisa inteiramente sincera a se responder àquela questão. Sorrio. E, enfim, confesso o que o mundo inteiro já sabia: "Sua, moço. Sua."
Foi a vez de ele sorrir. E dizer, com aquela petulância charmosa de sempre: "Você já é, menina." E fomos um do outro. E somos. E seremos, ainda.

sábado, 5 de maio de 2012

Ensaio do amor verdadeiro.




Quem é você? Sim, você que me olha desse jeito tão teu e me conquista assim pela palavra. Dita ou escrita. Pelo afago, beijo, cheiro. O teu cheiro que é único e inebria o meu ser. Cheiro teu que eu quero em mim ao te abraçar. Abraço nosso do qual eu nunca quero me desvencilhar. Você? Ah, você é meu amor platônico correspondido. Platônico sim, pois as coisas dificilmente são como eu quero, então, amor, por que? Por que dessa vez seria diferente? Por que nós nos entenderíamos tão intimamente ao ponto de, enfim, darmos certo? Não, as coisas não são tão fáceis pra mim. Pra nós. Você sabe...
Você sabe o que eu sinto e mesmo assim, vez por outra ainda questiona. Como ousas? Sabes, ai no teu íntimo que sou tua. Que te quero. E espero. Mas, meu bem, a vida não espera por ninguém. Então, por que devo eu fazer da minha uma espera sem fim de ti? Sim, é verdade, eu te preciso. E preciso de uma maneira que nunca imaginei precisar. Nos precisamos, mutuamente. Não me venha negar, você bem o sabe da necessidade que tem de mim. E mesmo assim se esconde atrás de um maldito discurso que nos inviabiliza. Ele nos distancia, apenas ele, o seu discurso, porque o seu querer faz par com meu e quanto a isso não há controvérsias. Ou há?
Há, na verdade, uma série de dúvidas e desenganos. Momentos em que nos feriamos profundamente. Eu primeiro, diria você. Mas parece-me que desculpas sinceras não te interessam, não é? Tentativas de melhora e expressões de sentimento foram em vão. E, então, eis que há uma vingança. Pode não ter sido planejada, porém, isso não importa. Você quis, inconscientemente, pagar na mesma moeda e, no entanto, não percebes que isso só piora. E o que antes era em mim a certeza do mais doce e puro amor que eu pudera sentir para com todas as paixões que vivi... transforma-se em dúvida. Você nos pôs em dúvida. Viramos incerteza. "Nós", afinal, existe? 
Respondo, por fim, com o coração cheio de lágrimas pela noite que devia ser nossa e a outro eu entreguei e, mais dolorosamente, outra noite na qual você deu-se a alguém e retirou-se de nós que... Não mais. Acabamos, meu amor. Desculpe-me por isso. Por ter-te frustrado e por não ter sabido tratar-te com todo zelo e cuidado que tanto mereces. Desculpo-te também. Pelos planos nossos frustrados que agora se perdem nos confins do tempo. É tarde para nos termos novamente e voltarmos ao ponto em que tudo era perfeitamente nosso e a felicidade, tangível. Mas cedo para te dizer que o sentimento acabou. E será sempre cedo, uma vez que sei e, sabes, que esse amor, meu bem, durará a eternidade, apenas. Porque o meu amor é teu e dar-te-ei-o sempre que o quiseres e, até mesmo, quando o negares.

terça-feira, 6 de março de 2012

Permita-se


Gostaria, primeiramente, de entender o que se passa entre a gente. Não eu e você. Seja lá quem for você. Que hora se faz tão certo em ser um, ora se multiplica em tantos. Mas, sim, entre "as gentes" que vem e vão pela estação, pelas ruas, pelo mundo. Que andam por aí pensando saber o que querem, quando na verdade são tão mais perdidas que o guarda-chuva no dia sol. Pessoas essas, que vivem suplicando silenciosamente por amor e nem ao menos são ouvidas. Tão sozinhas... E por que, afinal, elas não se encontram? Não se fazem companhia?


Eu me sinto assim, vez por outra. Perdida e só. Sem algo que realmente me mostre o caminho a ser seguido. Sem alguém que segure minha mão e diga que estará lá quando eu precisar, no dias de chuva, sendo meu sol. Isso é tão patético, sabe? Porque o amor é patético. Então, nós somos tremendamente patéticos por termos tamanha necessidade de ter amor. E, mais do que amor, de ter as provas. Porque não basta alguém proferir as três palavrinhas se não demonstrá-las, não é? E, por que ser tão cético? Pra que? "Ah, o amor está banalizado", e pensar assim ajuda muito, claro, né? Não. Porque isso gera medo. De sentir, se envolver e depois sofrer. Mas ninguém disse que viver seria só sorrir. Então, chore. Sofra. Dói, mas passa.


A gente tem que parar de ter medo de tudo. Tem que se deixar levar, e aí, quem sabe, no meio de tantas lágrimas, alguém as enxugue? Mas, por favor, permita-se. Permita-se apaixonar pelo doce, pelo novo, pelo que se permitiu ser seu. Permita-se estar perto e sentir o quão bom é ser amado. Ou será mais prático se esconder dentro de si, se martirizando, chorando aqui e acolá, por um amor que não aconteceu? Dizer aos setes ventos que está sozinha, quando, na verdade, ninguém está? Não, então, abra os olhos para quem quer estar com você, e o deixe fazer parte da sua felicidade. Deixe o papel de vítima aos coitadinhos, e vá ser protagonista de um leve final feliz. E, desta vez, sem medo.

sábado, 3 de março de 2012

Acabou-se?



E aqui estou, sentada à margem da sua vida, vendo os sopros de destino acariciarem sua face e não podendo fazer parte disso. De tudo isso que é você. Acredite, é de uma dor e uma agonia incalculáveis não poder, por um motivo ou outro, ter-te pra mim. Aqui. E eu nunca terei não é? Ou tenho? Eu não sei. Não consigo entender as regras do seu jogo, que às vezes nos beneficiam tanto e, no entanto, mais constantemente nos destrói. Não a você, talvez. Ou sim. Sim, a você sim, se tudo o que tiver sido dito outrora ainda permanecer ai, em ti.

Permanece? Diga sim. Sussurre ao menos, eu ouvirei. Ou nem fale. Apenas me abrace, pegue minha mão, desmanche esse muro transparente e tão sujo de contrariedades que nos separa. Voltemos ao que tínhamos antes. Você gostava, eu sei. Era leve e de uma doçura tão perfeita da qual nunca conseguiria supor em qualquer outra relação se não nessa nossa. Essa, eu e você. Mas parece que é tão mais fácil se apegar a um romance paralelo que me ilude, que te subestima. E nós? Por que atentar-nos tanto ao externo, ao que é alheio a nós, se o que nós temos aqui dentro é tão mais certo e real? Eu não entendo...

Não, não é só a ti que eu não entendo. A mim também não. Porque às vezes o ciúme ou até o medo de me perder do nosso encontro me leva a comentar tolices das quais você bem sabe. Tolices essas, que degradam ainda mais o que temos. Ou um dia tivemos. Mas eu sou tão ínfima, tão pouco sei do mundo, das ciências exatas, quem dirá do amor, esse turbilhão de inexatidão? Não me julgue. Não me condene. Eu errei. Mas será que você tentou me impedir? Será que me quis perto quando eu me fiz presente, ali, tão inteiramente e exclusivamente pra você, por você? Pense, por favor. Pense, meu amor. Em você, em mim, em nós. Que no fundo, você sabe, nós sabemos, não acabou.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

I'm yours




E então? O que eu posso dizer sobre você? Sobre nós? Ah, só de lembrar de ti as palavras já fogem, e o que fica é apenas um leve sorriso. Porque a tua simples menção me faz transbordar alegria, e eu que sempre me senti tão nada, tão ínfima em relação a todo o resto, me sinto grande apenas por ter você. E de alguma forma, da nossa forma, eu sei que tenho, de um jeito todo peculiar, todo particular. Talvez seja por isso que eu me sinta assim no tocante à você... tão bem, tão leve, tão eu... 

Você se pergunta porque tantos corações, semelhantes ao meu, pulsam por ti. Será que não sabe mesmo? Não vê a pessoa incrivelmente linda que é? Não percebe o quão encantador é o teu sorriso, o quão apaixonante é a tua voz? O quão delicado é o teu toque, o quão doce é o teu beijo? Sim, você sabe que é teoricamente impossível não se render a tudo isso que você é... Então qual a surpresa no meu interesse em ti? Uma vez que se apaixonar por você é quase tão natural quanto respirar, estranho seria se assim não acontecesse comigo.

Eu, tão frágil e sensível, suscetível a qualquer influência externa, me peguei pensando em você. E amando cada pensamento, divididos entre lembranças e esperanças. Não pense, nem um por um segundo, que isso me deixa triste. Não, por favor, jamais! É especial gostar de você... É como se fizesse parte de mim, sempre tivesse feito, sabe? Eu não peço reciprocidade à altura, só quero que continue assim... você parte de mim. E confesso que tive medo de isso acontecer e eu sofrer, mas é sobre você, sobre nós, então como poderia me fazer mal? Quais as chances? Ínfimas.

Talvez, amanhã eu perceba que confundi amizade com paixão. É, pode ser... Mas, independente do que descubramos sobre nós, preciso que você saiba que eu vou estar lá quando você precisar. Eu vou segurar sua mão quando o mundo desabar, e depois te ajudar a reconstruir coisa por coisa. Só quero que você entenda que eu serei tudo que você precisar, tudo que quiser, todos os dias. Vu ser sua amiga confidente, sua girlfriend carinhosa e, um dia, se você perceber que precisa de uma namorada, eu serei pra você... Serei, por hoje e pra sempre, sua.

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