" Liberdade é pouco, o que eu quero ainda não tem nome. "
Ai você pensa: o que Clarice Lispector queria de verdade? Será que Ela não sabia o que de fato almejava ou, sim, Ela sabia exatamente o que buscava, porém não sabia nomear a isso? Acho mais válida a segunda opção. E acho, inclusive, que muitos de nós estamos nessa situação. No fundo de nossas almas, lá na nossa essência, sabemos exatamente o que estamos procurando, só nos falta "dar nome aos bois". Poderia até ser uma espécie de surrealidade na qual nos colocamos, mas metade das coisas que queremos mais intensamente não são tangíveis, então Wharever. E a outra metade? Ah, a outra metade... a gente já tem! Só que estamos tão preocupados com o inalcansável, com essa incrível tendência a querer o impossível, o que não temos, o que não podemos ter, que esquecemos o que já temos. E, muitas vezes, o que já se tornou nosso é tão mais válido pra nós, do que aquilo que não passa de pura ilusão.
Ah, mas quão doce pode ser a ilusão, meus caros. Sim, Ela nos toma de tal forma, que torna a realidade tão superficial, tão banal, tão... tediosa. Oras, para que viver a realidade se eu posso viver sonhando? Por que encarar essas pessoas feias, chatas, impacientes e apressadas que eu vejo todo dia, se nos meus sonhos elas são tão mais belas, amáveis, encantadoras e livres? Não, deixa eu continuar no meu País de Alice, que é muito melhor! Ou deixe-me em Nárnia, que eu sei que Aslam governa muito melhor do que qualquer um desses comandantes reais. A realidade é muito chata! E às vezes chega a ser cruel... e eu não aguento mais isso. Tanta gente desorientada, que não sabe o que quer nem pra onde vai. E elas se multiplicam de tal maneira que até eu fico assim, perdida. Mas, na real, eu não estou perdida! Eu acho que eu sei o que eu quero pra mim e o por quê desse querer. Eu não sou louca. Mas a loucura é tão normal... Ah, então, decididamente, eu sou anormal .
Sim, eu sou anormal. Sou porque eu discordo de muitos conceitos que estão amontoados na minha cabeça. MAS NÃO SÃO MEUS. São teorias que colocaram ali, sem nem pedir licença. As pessoas reais são assim, elas não respeitam umas às outras. Chegam ao cúmulo de mal-tratarem, humilharem, e até matarem seus semelhantes porque são gays, ou negros, ou ateus, ou nordestinos... E ainda se dizem normais? Então, muito obrigada, mas essa normalidade eu dispenso. Poxa, o que vocês tem na cabeça? O que vocês querem da vida? E da morte? Vocês não sabem né ? Não adianta esbravejar e dizer que sabem, porque não sabem. A gente faz aos outros o que gostaria que fizessem à nós, ok? E vocês querem isso? Serem cruelmente julgados por um gosto, uma escolha, uma naturalidade? Não, não querem. Então por que fazem isso? Parem. Pensem. E queiram algo realmente bom e grandioso pra si mesmos, ainda que não possam dar nome a isso.
Hey, você, se liga! Para de ler os livros da Clarice, e achar as palavras bonitas, sem internalizar nada. Para de se pôr como vítima, porque você não é. Para de pensar que tudo vai cair do céu, mesmo sem você se mexer, porque não vai; você precisa tomar as rédeas da própria vida. Chega de se esconder em Nárnia, só pra por a culpa dos seus problemas na Feiticeira Branca. Não pensa que é só você se jogar num buraco que vai se livrar do mundo e sair no País das Maravilhas, onde a maioria te quer bem e você é protegido. Esses sonhos são meus, não seus. E talvez nem sejam só sonhos. Talvez se a gente se esforçar, pode ser que as pessoas nos queiram tão bem quanto Alice, e nos admirem tanto quanto Aslam. E pode ser que a gente quebre a cara, que nada dê certo, e que não descubramos o que realmente almejamos... mas hoje eu estou tão otimista e sociável que eu não gostaria de desvendar meus mais íntimos desejos sozinha. Então, vamos juntos, descobrir o que NÓS queremos !

Adorei o post!! Adorei o blog tb! Vc escreve muito bem, apesar de wharever se escrever whatever ok?
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