sexta-feira, 2 de maio de 2014

Encanto


Ela se dirigiu ao garçom e pediu um cigarro. Sentou-se com os amigos numa mesa ao canto do bar com o copo de cerveja numa mão e o cigarro na outra. Ele detesta cigarro, confessa. Mas a maneira como Ela tragava fazia parecer a coisa mais deliciosa do mundo. Tinha um ar de inocência e de sensualidade ao mesmo tempo. Entre um trago e outro, gargalhava com os amigos sobre alguma piada interna. Que gargalhada! - pensava - Ninguém ri como Ela. Aquele sorriso incrível emoldurado por lábios cobertos de um vermelho vibrante fazia o coração do rapaz pulsar em frenesi. Não existia nada além daquela risada. Não existia ninguém além Dela.

Seus olhos não conseguiam se desvencilhar da moça. Eis que Ela percebeu. Sorriu de maneira tímida e encantadora. Ah, aquele sorriso! - suspirou. Resolveu ir até Ela. Tinha que conhecê-la. Perguntou se poderia lhe pagar uma bebida. Ela aceitou. Começaram a conversar e a cada palavra que a moça proferia, maior era o seu encanto. Adorava como Ela sorria com os olhos, gesticulava com as mãos e o quão deliciosa era sua voz. Era engraçada, inteligente e super charmosa. Gostava de filmes antigos, fotografia, livros clássicos e colecionava postais. E Ele, claro, se viu perdida e incondicionalmente apaixonado.

No final da noite, Ela disse que precisava ir embora. Ele quis beijá-la - não havia nada que quisesse mais -, mas os amigos a estavam chamando e Ela teve que partir. Não tiveram nem tempo de trocar números de telefone. Ela simplesmente se foi, levando parte considerável Dele consigo.


Ele nunca mais viu Pietra - a moça do bar. Mas durante todos esses anos, não houve um dia em que não tenha pensado nela. Se existir um "amor da vida" Dele, com certeza foi Ela. A charmosa Pietra de beleza estonteante e risada apaixonante. Pietra que, por capricho do destino, Ele não tornou a ver, mas que se mantém dona de seus pensamentos e de seu coração - que pulsa pela esperança inabalável de um dia revê-la e, enfim, beijá-la.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Desenlace


João. 25 anos, estudante de Jornalismo, trabalhava numa cafeteria para bancar as despesas da faculdade. Adorava o cheiro de café e como aquele ambiente era inspirador para quem, como ele, gosta de ler e/ou de escrever. Sempre sorridente, era muito bem quisto por todos os clientes. A vida de João era dividida entre a cafeteria e sua faculdade. Até aparecer Mariana.

Mariana. 22 anos, estudante de Administração, trabalhava no escritório de seu pai. Era uma boa moça mas, ironicamente, não sabia administrar suas emoções. Um dia, se desentendeu com o pai e saiu abalada da empresa, sem rumo. Entrou numa cafeteria numa ruela qualquer. Mariana não tomava café. Até aparecer João.

João nunca tinha visto uma moça tão linda. Aconteceu o inevitável: apaixonou-se; assim, fácil como respirar. Mariana percebeu que João trazia ao seu coração atordoado uma paz que ninguém jamais, em tempo algum, conseguira trazer; mas, num primeiro momento, não achou que se envolver com alguém seria uma boa ideia. Conversaram. Por horas e dias e semanas. Era como se se conhecessem desde sempre.

Mariana era, definitivamente, o amor da vida de João. João era o melhor amigo que Mariana podia cogitar ter. Eis o problema: João a amava, a queria de todos os jeitos que alguém poderia ter a outro alguém mas, Mariana não correspondia essa paixão. Na verdade, ela o amava e o queria igualmente, mas tinha medo. Tinha medo que um dia ele cansasse dela e fosse embora. Assim, de repente, sem motivo aparente, levando o coração dela junto, mas não sem antes destroçá-lo. Mas João era diferente, merecia uma chance.

João e Mariana, então, começaram a namorar e, posteriormente, morar juntos. Pareciam ser o casal mais perfeito de todos os tempos. E como se entendiam. E como riam. E dançavam e se beijavam com a paixão de sempre e se amavam. Ninguém podia supor um mundo onde João não fosse de Mariana e vice-versa. Eram como um quebra-cabeça à dois. Se completavam.

Um belo dia, porém, na faculdade, João conheceu Ana. Ana era absurdamente linda. Não como Mariana; eram belezas diferentes. Ana fazia Publicidade e tinha a risada mais incrível que João já viu e ouviu. Então, sem querer, sem planejar, João viu-se completa e irremediavelmente apaixonado por Ana. Ana dos olhos de mel, dos cabelos esvoaçantes, do sorriso cativante. Ana, de voz doce e fala compassada e de suas teorias sobre a vida. Ana de João.



Sentada na cama, Mariana, sem prestar muita atenção, lia um romance aleatório acompanhado de um café. Mariana nunca gostou muito de café (tomava só o de João, porque era de João), mas aquela bebida era a única coisa que a mantinha aquecida, já que o corpo de João não mais ali estava.

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