Olá, você. Como vai a vida? Disseram-me que tudo por ai é diferente sem mim. Que graça o teu pensamento permanecer aqui. E eu sei que permanece. Que meiga sua insistência em negar a saudade desta moça que era tão tua e a quem tanto fizestes bem, que tanto te fez bem também. Que admirável sua capacidade de inventar desculpas tão patéticas para sua ida. Mas que amor absurdamente grande era esse meu por ti. Esse teu por mim. Esse nosso amor, meu bem.
Engraçada a vida. Uma hora você estava aqui do lado e noutra já nem o vejo mais. E nem o verei. Confesso que até bem pouco tempo o procurava por ai nas ruas em que ando, nas pessoas que reparo, nas bocas onde repouso os beijos meus que eram tão teus. E que triste fazer uso do tempo passado para falar de nós. Nossa história que foi prometida pela eternidade e, por fim, fracassou nessa missão. Não soubemos contornar as adversidades e nos tornamos insensíveis um ao outro, tanto que, veja bem, nem nos conhecemos mais. Que triste.
Que triste, afinal, a morte desse amor tão bonito que embalou tantos sonhos. Que cicatrizou tantas dores. Que alegrou tantos dias de chuva. Que fez tão bem. Que trouxe paz, esperança e companherismo. Que, simplesmente, duraria a eternidade, apenas. Mas que por escolhas nossas virou pó. Acabou. Acabamos. O amor morreu. O nosso eterno amor, contrariando toda a conspiração do universo a favor, morreu. Você morreu neste coração que tanto pulsava por ti e hoje apenas o desconhece. Fim. A saudade de ti não mais atormenta este peito. Adeus.