quinta-feira, 28 de abril de 2011

Ouvi Dizer




Ouvi dizer que para cada pessoa no mundo existe uma outra pré-destinada a ser sua alma-gêmea. Ou seja, todos nós um dia teremos alguém que nos complete integralmente. Aliás, segundo dizem, temos, só falta encontrarmos. Inclusive aqueles irretratáveis solitários que acham estarem para todo o sempre na sua condição "Forever Alone", também têm sua "metade da laranja" em algum lugar do universo. Mas, isso é complicado, não é? Quer dizer, pessoas nascem e morrem todos os dias. E se a sua pessoa, já morreu? Ou se Ela nem nasceu ainda? Ai sim, nunca haverá alguém para nós? Que bad :/

Ouvi dizer que o amor de verdade só acontece uma vez na vida. Eu não sei se ouvi direito. Quem me disse isso não tinha encontrado esse tal de amor ainda, então como saberiam disso? Afinal, quem sabe? Alguém aqui encontrou a bendita alma-gêmea? Se sim, por que eu não encontrei a minha ainda? Às vezes penso ter achado mas, na minha concepção, eu deveria ser correspondida, ou não? Porque se é a minha pessoa, é pra Ela me querer. É, talvez queira. Senão agora, daqui a pouco pode ser que passe a querer... A menos que eu tenha me enganado de pessoa... mais uma vez.

Ouvi dizer que os sonhos viram realidade, mais cedo ou mais tarde. Mas eu não vejo os meus se materializando! Por que? Isso é bullying divino, ou o que? Eu também quero ser feliz, ok? Quero ver meus desejos se concretizando, a começar por ter alguém de verdade. Sim, de verdade, porque eu cansei de ficar imaginando como é ser correspondida à tempo e à altura. Existe mesmo alguém exclusivo pra mim? Então, venha até mim! Venha, pois eu já estou farta de correr atrás das pessoas. Sinceramente, exausta de acreditar sozinha num futuro que deveria ser arquitetado à dois.

Mas, eu ouvi dizer também, que as pessoas quando se apaixonam sofrem muito. Todo mundo tem suas desilusões. Toda menina sonha com um príncipe encantado, que vai fazer Ela feliz eternamente. E até é possível que Ele apareça, não necessariamente Ele, é claro; mas antes Ela vai se deparar com muitos "leões em pele de cordeiro". Estes, vão iludi-la e fazer Ela sofrer, deixando o coração dela cada vez mais frágil, ferido e quebradiço. Mas ai, se o que eu ouvi dizer for verdade, Ela vai encontrar alguém que realmente a mereça. E talvez nem seja o tão sonhado príncipe, mas será uma pessoa que a respeite, a ame, cicatrize suas feridas e nunca mais permita que Ela sofra
Bom, espero ter ouvido direito.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Saudade, sensação que maltrata.




Saudade dói, e como. Sim, esse sentimento que vez por outra nos arrebata, e que desvenda um imenso vazio em nossas almas e corações. Mas por que a sentimos? Será que as desventuras e amarguras pelas quais vivemos já não bastam? Será que nunca sofremos o suficiente e, portanto, sempre temos de nos martirizar um 'pouco' mais? Porque, afinal de contas, não é nada prazerosa essa sensação. Ela é arrasante e, muitas vezes, se faz presente quando estamos mais sensíveis; o que nos torna ainda mais vulneráveis. E podemos até posarmos de fortes, e dizer que é só um breve lapso de dor pela falta de alguém, mas não é. É algo que perdura bastante tempo no nosso sub-consciente até estarmos novamente perto Deste.


Ê saudade... todos nós, vez ou outra, nos pegamos sentindo um imenso aperto no peito. Uma espécie de dor irrefreável que trás as mais deliciosas lembranças daqueles a quem tanto amamos. E essa sensação se demora absurdamente em cada um de nós, para que possamos perceber o quanto aquela pessoa, ou aquele momento, nos marcou. É importante lembrar de cada coisa ou ser vivente que em nossa vida passa, para que possamos retirar o melhor de cada um. Porque, obviamente, todos temos nossos pontos fracos, e são eles que temos de torná-los fortes. E a saudade toca justamente nesses pontos tão frágeis. Então nos sentimos assim, tão sozinhos, tão perdidos, tão introspectivos.


Às vezes dá vontade de driblar a distância e correr para junto dessa pessoa que tanto precisamos, mas que tão longe estamos. É algo incontrolável e avassalador. Dói mesmo, eu sei, eu também tenho dessas coisas. Eu também sinto falta de tantas pessoas que passaram pela minha vida, receberam o melhor de mim e simplesmente desapareceram. Ou das que eu vejo vez por outra, e que há muito me fizerem bem, mas hoje são tão alheios a mim, quanto qualquer outro que passa. Sinta falta das alegrias que Elas proveram nos meus dias e até das tristezas que se sucederam àquele tempo, porque eu tinha um colo amigo e um ombro pra chorar. Oras, eu tenho saudade até do que eu não vivi, de quem eu não conheci, dos sorrisos que não dei, das lágrimas que não derramei
É, acho que a Saudade é mesmo um vício intrigante.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O que eu quero ?



" Liberdade é pouco, o que eu quero ainda não tem nome. " 

Ai você pensa: o que Clarice Lispector queria de verdade? Será que Ela não sabia o que de fato almejava ou, sim, Ela sabia exatamente o que buscava, porém não sabia nomear a isso? Acho mais válida a segunda opção. E acho, inclusive, que muitos de nós estamos nessa situação. No fundo de nossas almas, lá na nossa essência, sabemos exatamente o que estamos procurando, só nos falta "dar nome aos bois". Poderia até ser uma espécie de surrealidade na qual nos colocamos, mas metade das coisas que queremos mais intensamente não são tangíveis, então Wharever. E a outra metade? Ah, a outra metade... a gente já tem! Só que estamos tão preocupados com o inalcansável, com essa incrível tendência a querer o impossível, o que não temos, o que não podemos ter, que esquecemos o que temos. E, muitas vezes, o que já se tornou nosso é tão mais válido pra nós, do que aquilo que não passa de pura ilusão.

Ah, mas quão doce pode ser a ilusão, meus caros. Sim, Ela nos toma de tal forma, que torna a realidade tão superficial,  tão banal, tão... tediosa. Oras, para que viver a realidade se eu posso viver sonhando? Por que encarar essas pessoas feias, chatas, impacientes e apressadas que eu vejo todo dia, se nos meus sonhos elas são tão mais belas, amáveis, encantadoras e livres? Não, deixa eu continuar no meu País de Alice, que é muito melhor! Ou deixe-me em Nárnia, que eu sei que Aslam governa muito melhor do que qualquer um desses comandantes reais. A realidade é muito chata! E às vezes chega a ser cruel... e eu não aguento mais isso. Tanta gente desorientada, que não sabe o que quer nem pra onde vai. E elas se multiplicam de tal maneira que até eu fico assim, perdida. Mas, na real, eu não estou perdida! Eu acho que eu sei o que eu quero pra mim e o por quê desse querer. Eu não sou louca. Mas a loucura é tão normal... Ah, então, decididamente, eu sou anormal .

Sim, eu sou anormal. Sou porque eu discordo de muitos conceitos que estão amontoados na minha cabeça. MAS NÃO SÃO MEUS. São teorias que colocaram ali, sem nem pedir licença. As pessoas reais são assim, elas não respeitam umas às outras. Chegam ao cúmulo de mal-tratarem, humilharem, e a matarem seus semelhantes porque são gays, ou negros, ou ateus, ou nordestinos... E ainda se dizem normais? Então, muito obrigada, mas essa normalidade eu dispenso. Poxa, o que vocês tem na cabeça? O que vocês querem da vida? E da morte? Vocês não sabem né ? Não adianta esbravejar e dizer que sabem, porque não sabem. A gente faz aos outros o que gostaria que fizessem à nós, ok? E vocês querem isso? Serem cruelmente julgados por um gosto, uma escolha, uma naturalidade? Não, não querem. Então por que fazem isso? Parem. Pensem. E queiram algo realmente bom e grandioso pra si mesmos, ainda que não possam dar nome a isso.


Hey, você, se liga! Para de ler os livros da Clarice, e achar as palavras bonitas, sem internalizar nada. Para de se pôr como vítima, porque você não é. Para de pensar que tudo vai cair do céu, mesmo sem você se mexer, porque não vai; você precisa tomar as rédeas da própria vida. Chega de se esconder em Nárnia, só pra por a culpa dos seus problemas na Feiticeira Branca. Não pensa que é só você se jogar num buraco que vai se livrar do mundo e sair no País das Maravilhas, onde a maioria te quer bem e você é protegido. Esses sonhos são meus, não seus. E talvez nem sejam sonhos. Talvez se a gente se esforçar, pode ser que as pessoas nos queiram tão bem quanto Alice, e nos admirem tanto quanto Aslam. E pode ser que a gente quebre a cara, que nada dê certo, e que não descubramos o que realmente almejamos... mas hoje eu estou tão otimista e sociável que eu não gostaria de desvendar meus mais íntimos desejos sozinha. Então, vamos juntos, descobrir o que NÓS queremos !

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